ARTES X INTELIGÊNCIAS

Trabalhando as Múltiplas Inteligências através das Artes

Como vimos anteriormente, as artes são formas de se expressar, cada qual utilizando um meio de comunicação, ou mais deles. Estes meios podemos relacionar, com determinadas inteligências. É importante levar em conta também, que as inteligências podem ser  desenvolvidas, e que um indivíduo tem a capacidade de se desenvolver em mais de uma inteligência.

Cada uma dessas formas de inteligência pode ser dirigida para fins artísticos: isto é, os símbolos vinculados àquela forma de conhecimento podem, mas não precisam, ser dispostos de uma maneira estética  (Gardner 1995, p. 121) 

Então, torna-se necessário que para trabalhar com artes devemos fazê-lo de forma significativa, e para que haja o resultado esperado o ideal seria dentro da proposta triangular, onde o aluno aprecia a obra, entende seu contexto e produz a sua própria obra, ressignificando-a através da sua realidade, dentro o conteúdo, ou disciplina abordada pelo professor.

O aumento dos saberes, que permite compreender melhor o ambiente sob seus aspectos, favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e permite compreender o real, mediante a aquisição de autonomia da capacidade de discernir (Delors 2000, p. 91)

Levando estas informações em consideração, podemos chegar a conclusão que podemos utilizar as artes visando a produção dos conhecimentos em sala de aula, de forma lúdica, divertida, e ainda mais, abrangendo o maior número de inteligências possíveis, que convertendo isto a uma realidade de sala de aula seria: fazendo a aula interessante e compreensível pelo maior número de alunos.

Além disto, recomenda-se a utilização das artes em temas transversais, quando ao meu ver, as artes podem ser utilizadas, e muito bem utilizadas, não somente nos temas transversais, mas também em todas as disciplinas obrigatórias de sala de aula.  

Convém, pois, oferecer às crianças e aos jovens todas as ocasiões possíveis de descoberta e de experimentação – estética, artística, desportiva, científica, cultural e social – que venham completar a apresentação atraente daquilo que, nestes domínios, foram capazes de criar as gerações que os precederam ou suas contemporâneas. Na escola, a arte e a poesia deveriam ocupar um lugar mais importante do que aquele que lhes é concedido (Delors 2000, p.100) 

Um professor ao utilizar o escutar em sala de aula, onde a exploração das características dos sons pode passar, por escutar, identificar e reproduzir sons e ruídos da natureza, ou ainda da vida cotidiana, estará trabalhando com a inteligência auditiva de seu aluno, permitindo uma percepção maior do mundo em que está inserido.

Além disto, quando falamos de música, estamos falando da relação do som com a palavra, onde as letras das canções podem ser trabalhadas relacionando a área inteligência musical com a inteligência linguística, onde se deve compreender o sentido daquilo que se é dito, explorando o caráter lúdico das palavras. Além disto pode-se utilizar a música dentro de variações da letra original, alterando seu significado em benefício do conteúdo a ser aprendido. Ou ainda o conteúdo original pode ser uma forma de se abranger o tema em questão abordado.

Para que haja o enriquecimento musical do indivíduo não há a necessidade de se trabalhar grandes técnicas musicais, o acompanhamento pode ser feito pelo professor inclusive por músicas previamente gravadas.

Vinculado com a música temos também a dança, e esta como forma de expressão motora, permite que os indivíduos aprendam a se movimentar utilizando a música, podendo também funcionar como uma oportunidade para o trabalho em grupo.

Outra área das artes que pode ajudar, e muito na apreensão do conteúdo de forma eficaz, além de envolver a inteligência interpessoal são as artes cênicas. O teatro, enquanto meio de representar o conteúdo, onde a encenação promove a interação dos indivíduos envolvidos, auxiliando no desenvolvimento da inteligência intrapessoal. Para aqueles que estão envolvidos no processo de produção, interage-se desde a inteligência  linguística, quer seja na interpretação do texto, na alteração produtiva do mesmo, ou até na criação de um novo. Além disto, trabalha-se a inteligência espacial, e também a inteligência visual e auditiva, tanto para aqueles envolvidos, como para os espectadores.

Uma alternativa, muito útil, porém pouco utilizada na área do teatro é a contação de história, segundo Coelho (1995, p.14): “A história é o mesmo que um quadro artístico ou uma bonita peça musical”. Ela se utiliza de elementos básicos, que são os mesmos das peças de teatro, mas por se tratar de uma atividade individual, onde o envolvido tem que transmitir teatralmente toda a sua informação através da sua postura, tonalidade de voz, gestos e sinais. “É preciso escutar as crianças para que sua inteligência se desabroche” (Alves  2005, p29).

Neste caso, em complementação ao teatro, a inteligência trabalhada é a intrapessoal, onde o indivíduo é levado ao autoconhecimento para poder se comunicar. Mas ao mesmo tempo, precisa criar um canal de empatia com seus espectadores, o que o leva a recorrer a sua inteligência interpessoal. Segundo Coelho (1995, p.59): “A história não acaba quando chega ao fim. Ela permanece na mente da criança que a incorpora como um alimento de sua imaginação criadora”.
Contar histórias em sala de aula pode auxiliar em estreitar o relacionamento entre contadores e ouvintes, podendo criar inclusive uma cumplicidade em torno da história. Por tal motivo, é importante que todos possam fazer parte deste processo, revezando entre si o papel de ouvinte e contador. Segundo Coelho (1995, p.11)

A força da história é tamanha que narrador e ouvintes caminham juntos na trilha do enredo e ocorre uma vibração recíproca de sensibilidades, a ponto de diluir-se o ambiente real ante a magia da palavra que comove e enleva. A ação se desenvolve e nós participantes dela, ficando magicamente envolvidos com os personagens, mas sem perder o senso crítico, que é estimulados pelos enredos.

Então, se assistir a uma peça de teatro, ou uma contação de história, é capaz de levar a aprendizagem daqueles indivíduos dotados de inteligência visual e auditiva, o mesmo efeito pode ser obtido através de filmes e outros materiais audiovisuais que possam ser trabalhados em sala de aula, tais como animações gráficas, desenhos, entre outros.

É preciso ter em mente que, como citado por Girardello, (2006, p.125) que “a narração pode ser memorável até para crianças que tem dificuldade de absorver informação por escrito”.  Podendo ser utilizada pelo professor como uma forma pedagógica de se alcançar o conhecimento. “Partilhar com a criança a emoção e a lucidez que as histórias nos trazem é uma forma elevada de ação educacional” (Girardello 2006, p.132).

Assim como os filmes, as fotos podem também contribuir para a absorção visual do conteúdo, onde os alunos podem ser transmissores do conhecimento através das próprias criações, quer sejam simplesmente por efeitos visuais nas fotos, onde também a inteligência espacial pode ser trabalhada, através da captação da imagem de forma a transmitir a mensagem, mas também na manipulação destas imagens, através da arte digital, onde possam vir em substituição aos já tão trabalhados cartazes feitos em cartolina.

Mapas mentais, ou linhas do tempo criados a partir de fotos colocadas de formas espaciais que contem a história ou que representem um conteúdo, podem vir a complementar este aprendizado através da inteligência visual, além de consistirem uma representação artística espacial do conteúdo trabalhado.

Outra atividade que permite explorar o espacial, privilegiando a inteligência visual, são as construções de maquetes, esculturas, onde proporciona ao aluno a representação visual dentro de um espaço, a exemplo das esculturas.

A própria literatura, como forma de arte, deveria ir além das tradicionais interpretações textuais e gramaticais e ser também apreciada conforme a proposta triangular, onde o aluno lê a obra, a apreciar segundo sua percepção, analisa a obra dentro do seu contexto, para então poder devolver suas próprias criações com base no que foi trabalhado. Segundo Freire (1986, p.12):

A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepções entre o texto e o contexto.

O fato é que as artes estão ao nosso redor, e estão a disponibilidade de todos, sendo uma ferramenta lúdico-pedagógico a ser utilizado pelo professor em sala de aula, não somente para tornar as aulas mais interessantes, mas também conseguir alcançar todas as inteligências presentes em sala, e me arrisco a dizer, que todas as inteligências relacionadas por Gardner se encontram em uma sala de aula.

Uma vez que reconhecemos que as crianças em diferentes idades ou estágios possuem necessidades diferentes/respondem a diferentes formas de informação cultural e assimilam conteúdos com diferentes estrutura motivacionais e cognitivas, os tipos de regimes educacionais planejados por nós precisam levar em conta esses fatores desenvolvimentais (Gardner 1995, p.57).

Mas muito mais do que simplesmente colaborar com as inteligências já latentes em sala de aula, é necessário que o professor saiba despertar as demais inteligências que existem em todos os seus alunos, alguns predominando uma ou outra. É preciso dar oportunidade que todos os alunos possam descobrir muito além que suas inteligências, mas se descobrir enquanto seres humanos, integrantes e participantes de uma sociedade viva e ativa.

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